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A coleção de Porifera da UFRJ é a maior e mais importante coleção de esponjas da América Latina. Atualmente (12/2012), ela beira os 24000
espécimes, mais de 500 dos quais são espécimes-tipo, ou fragmentos dos mesmos, e mais de 600, espécimes testemunho de pesquisas em
bioprospecção por novas moléculas bioativas com potencial de uso farmacológico. Seu crescimento tem sido constante, e a cada ano cerca de
800 novos exemplares são acrescidos, provenientes de expedições realizadas no Brasil e no exterior, e coletados por meio de mergulho,
dragagens ou robôs. A coleção inclui representantes das quatro classes recentes de Porifera e reune subamostras de importantes coleções
mundiais, tais como as alemãs, australianas, estadunidenses, francesas, inglesas e holandesas. Estão representados materiais provenientes
de todo o litoral brasileiro, do Amapá ao Rio Grande do Sul, bem como das mais diversas profundidades, desde poças de maré até
profundidades maiores que 5000 m. Estas coleções compreendem também materiais procedentes da África, Argentina, Antártica, Caribe,
Chile, Colômbia, Mediterrâneo etc. Isso faz com que espécimes da coleção sejam requisitados para vários estudos dentro e fora do Brasil.
Além dos espécimes, a coleção conta também com grande número (dezenas de milhares) de preparações para microscopia (cortes espessos
e espículas dissociadas), e imagens de espécimes in vivo. //

The Porifera collection of UFRJ is the largest and most important sponge collection in Latin America. Presently (12/2012), it approaches 24000
samples, over 500 of which are type specimens or fragments of such specimens, and over 600 are voucher specimens for bioprospecting
research searching new bioactive molecules with a potential pharmacological application. Its growth has been constant, and each year over
800 new samples are added, originating from expeditions undertaken in Brazil and abroad, and collected by diving, dredging, or remotely
operated vehicles. The collection includes representatives of all four classes of Recent Porifera and includes subsamples from important
collections worldwide, as German, Australian, from the United States, French, British and Dutch collections. Materials from all over the Brazilian
coast are kept, from Amapá to Rio Grande do Sul State, as well as from various depths, starting at tide pools and reaching depths greater than
5000 m. These collections also include specimens originary from Africa, Argentin, the Antarctic, the Caribbean, Chile, Colômbia, the
Mediterranean, etc ... This comprehensiveness translates into specimens being asked on loan to subsidize diverse studies in Brazil and
elsewhere. Apart from the specimens, the collection also houses a large number of microscopical preparations (tens of thousands of slides of
dissociated spicules and thick anatomical sections) and underwater photos of specimens alive.


Coleções científicas de história natural são um testemunho de nossa biodiversidade conhecida e por conhecer, em escalas geográfica e
temporal, para atender a demanda de projetos correntes, e outros com os quais sequer podemos sonhar no presente. Perguntas clássicas
endereçadas às coleções, cujas respostas dependem da intermediação de taxônomos, frequentemente visam determinar a riqueza de
determinada área, sob os mais diversos níveis de estresse ambiental; a diversidade genética, química ou mesmo morfológica (variabilidade)
de determinada espécie; ou padrões hipotéticos de relação evolutiva entre distintas espécies, com o intuito de construir-se uma classificação
mais estável e preditiva dos seres vivos. O preço de uma coleção é frequentemente incalculável, mas deve-se ter em mente que a obtenção de
alguns espécimes pode implicar na condução de expedições a regiões remotas, desprovidas de infra-estrutura no local, envolvendo riscos
diversos aos participantes. Quando falamos em coleções com dezenas ou centenas de milhares de espécimes, listadas dentre as maiores do
mundo, estamos falando em um patrimônio impar, insubstituível, cuja constituição é uma obrigação para países megadiversos. Não
constituí-las denota falta de seriedade e senso de responsabilidade. Péssimo! Porém, perdê-las é uma vergonha nacional de repercussões
globais! Pesquisadores estrangeiros estarão se lamentando: “Oh my, if only I had had a chance to collect in those Brazilian localities?! Those
specimens would now be safe!” E isto poderia ser a mais pura verdade. Depois de conhecer os níveis de segurança contra incêndios de
diversas coleções européias, fico com uma sensação de que o esforço para constituir estas enciclopédias da biodiversidade brasileira deriva
sobremaneira do amor dos pesquisadores que escrevem suas páginas, tendo como apoio uma enevoada motivação institucional, muito
frequentemente limitada à cessão do espaço para seu armazenamento, além da água e luz imprescindíveis para sua leitura. Mas será que
aquela pequena mata cercada de canaviais por todos os lados ainda representa de forma fidedigna a biodiversidade daquele antigo trecho de
mata devastado a cinco décadas para a formação de pastagens? Não seria mais indicado verificar espécimes testemunho da própria floresta
que virou pasto, coletados 50 ou mais anos atrás, e depositados em coleções nacionais oficiais de referência da biodiversidade? Será que
aquele pequeno arquipélago distante 40km do litoral pode nos dizer tudo que havia naquela baía costeira antes de sua eutrofização
exacerbada? Parece-me óbvio que o preferível seria estudar material coletado na própria baía, quando ainda era prístina. Como reconhecer
uma espécie invasora sem conhecer a biota de sua região de origem, ou a biota invadida? Talvez a sensação de fartura ainda permeie o
imaginário nacional, com a conseqüência de não se dar o devido valor às coleções constituídas, já que, supostamente, “Ainda tem tanto bicho
por aí!”, não é mesmo?

 

 

 

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